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A Hayley fez um novo post de titulo "Oh Glory" no tumblr da banda.
O texto original pode ser visto aqui.
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"Oh Glory"
Quando tinha 17, comecei a escrever a letra de uma música chamada "Let The Flames Begin". Está no nosso segundo álbum, RIOT! Nunca senti que soasse tão sentimental no álbum como quando a tocávamos ao vivo. Nos últimos anos, nós passamos a tocá-la mais. Não só é uma das nossas favoritas para tocar nos concertos mas também uma das canções mais pedidas para ser tocado por...ahem...vocês. Se calhar é só porque a música é mais pesada do que a maioria das outras ou porque parece muito emocional cantar algumas dessas palavras. De qualquer maneira, significa muito para nós.
A letra fala da maneira como eu nos via (pessoas que tinham aproximadamente a mesma idade naquele tempo) e como nós nos integrávamos na sociedade… e também um pouco do tópico da condição humana. O quão frágeis nós devemos parecer vistos de fora, para quem nos vê. Eu sempre tive este tipo de sentimentos dolorosos que acontecem quando ouvimos uma história trágica de alguém novo a quem é diagnosticado uma doença terminal, ou quando vemos algum sem-abrigo a pedir na berma de uma estrada a quem vocês podiam dar alguns dólares mas que nunca poderiam realmente ajudar… mas eu dou sempre… apenas pelo mundo em geral. Porque eu sinto, verdadeira e profundamente, que todos nós estamos sempre à procura de algum tipo de cura ou algum tipo de rápido "conserto". Sempre a preencher um vazio. Eu faço isso todos os dias mesmo quando não estou consciente de que o faço.
A condição de se estar vivo e a respirar. “Como é que me posso agradar?” Não é com um olhar pessimista que eu vejo tudo isto, eu apenas acho que é um olhar realista. Algumas pessoas, depositam mais a sua fé no trabalho do que em ajudar os outros. Outras, crêem que é suficiente saber que tentaram ser a melhor pessoa que podiam ser e fizerem a diferença que conseguiam. Qualquer que seja o vosso prazer, crença, dor ou triunfo… somos todos humanos e estamos constantemente a lidar com algum tipo de fragilidade. De coração, de finanças, de família, de sonhos... É uma dor real que não pode ser ignorada.
Por vezes, a única coisa que me anima depois de tempo difíceis é saber que estamos (de certa forma) nesta luta juntos. Mesmo que possamos sentir como se estivéssemos a lutar sozinhos, existem outros biliões de seres humanos que também o estão a fazer. Qualquer que seja o motivo pelo qual lutam. Eu não sei como isto ajuda, mas na realidade ajuda saber que ainda ninguém os resolveram [as lutas]. É quase como que me perdesse com os meus pensamentos mas é muito confortável.
Mesmo após seis anos, ainda penso sobre todas estas coisas da vida e me sinto como um ser humano, portanto parece óbvio que poderíamos escrever outra música com uma mensagem semelhante para o novo álbum. Desta vez, sinto que traz um pouco mais de uma perda de esperança… mas na verdade é isso que me entusiasma mais [na música]. Para mim, é como atingir o fim de um poço que pensava ser inatingível… e é aí que nos rendemos ao que se aproxima. É o que biliões de outras pessoas estão a fazer agora. Atingem o fundo para verem o que já percorreram e descobrir como continuar em frente. Sim, ajuda definitivamente saber isso.
É estranho que uma música que fale sobre isto tudo faça parte do mais positivo e “intoxicantemente” divertido álbum de sempre dos Paramore… mas de qualquer forma resulta. E de qualquer maneira, qualquer pessoa que me conheça sabe que só consigo escrever outras líricas alegres assim que consiga desabafar sobre esses assuntos.
Este texto já é comprido e faz-se tarde e espero que faça sentido à maioria das pessoas que realmente leu isto.
H"
Traduzido por Zé R. e Zé Abrantes